Neste último final de semana, tivemos a Graciosa Half Marathon, uma prova noturna com as distâncias de 5, 10 e 21 km. Já participei dessa prova algumas vezes, e a última foi em 2019, então estava ansioso para correr novamente em um lugar tão especial. Essa já é uma prova tradicional no calendário paranaense. As edições anteriores ocorriam pela manhã, com a primeira edição em 2001 e a primeira noturna em 2017.
Após uma interrupção de quatro anos, a última prova foi realizada em 2019. Em 2020, veio a pandemia e, em seguida, tivemos problemas com deslizamentos devido à grande quantidade de chuvas nos últimos anos, o que fez com que a prova fosse retirada do nosso calendário. Agora, no dia 26/10/2024, a corrida voltou a acontecer.
A logística da prova é um pouco mais complexa devido ao deslocamento e a todo o trâmite de largada, pois a estrada fecha para a corrida, e o transporte até a largada é feito pelos ônibus da organização. Dessa vez, tive a parceria do meu aluno e amigo Luciano Lobo, que passou na minha casa às 15h30. Chegamos ao portal às 16h15, nos arrumamos e seguimos para o ponto de partida dos ônibus, a uns 200 metros do portal.
Então o tempo começou a fechar, com vento e aquela chuvinha para animar. Tivemos que aguardar até umas 18h para a saída do ônibus que nos levaria até a largada. O ônibus parou no meio do caminho para deixar alguns atletas que correriam os 5 km e, mais à frente, os dos 10 km. Depois de deixar esses atletas, seguimos em frente. Foi aí que veio a pérola de um dos atletas dos 21 km: “aqui separa os loucos dos doidos”. Além de engraçada, a frase se encaixou perfeitamente.
Chegamos à largada por volta das 18h50, e a prova começaria às 19h30. O pessoal tentava se animar para o desafio, afinal, desde a chegada, já eram quase três horas de espera. Isso só reforça a frase do nosso companheiro de corrida. Chuva, frio, e, às 19h30, lá fomos nós para subir a Serra da Graciosa. Por ser uma prova noturna, e sem iluminação ao longo do percurso, era obrigatório levar lanterna. Com a chuva, o máximo que eu conseguia enxergar era um metro à minha frente.
Houve muitas adversidades no caminho, principalmente porque grande parte da estrada é de paralelepípedo. Além de ser uma estrada irregular, ela fica muito escorregadia com a chuva, então todo cuidado era pouco. Era impossível prever a inclinação à frente. Sabemos, claro, que sobe, sobe, sobe, e depois sobe de novo, mas, por ser à noite e com chuva, você perde a referência de espaço. Minha estratégia foi correr com uma passada mais curta para evitar surpresas com os buracos.
Passo a passo, fomos vencendo a chuva e o frio. 5 km, depois 10 km, depois 15 km, então 16 km, e a subida mais pesada ficou para trás. Eu já estava com saudades de correr! Apertei o passo, e as câimbras começaram a aparecer devido à mudança de estímulo e à fadiga muscular pelo esforço; tive que reduzir um pouco. Veio o km 18, apertei o passo de novo, “faltam só 3 km”, pensei: “Jesus me ajude”. Ainda havia uma última subida no km 20 e, então, era só correr para a linha de chegada.
Cruzei a linha de chegada dos 21 km, recebi a medalha, uma banana e água. Missão cumprida! Breve tem mais.